quarta-feira, 11 de julho de 2007

Naturalmente que a juventude é do conhecimento parco, do companheirismo relativo, da revolução, do consertar o mundo, mesmo que só; do arroubo religioso uns, político alguns, amoroso outros e das incongruências. Escritos voam, palavras ficam, ou vice-versa. Se não há baús, há gavetas, pastas e até livros e revistas que abrigam manuscritos.

Rasgue-se

Mulher, o que pensas da vida,
Se não sabes o que tu és?
A qualquer homem dás guarida,
Nunca esperando um revés.

Tu sofres por culpa tua!
Nunca penses que a nós,
Tornarás deuses da lua.

Não tentes se igualar ao homem,
Tu que nascestes flor de lis!
Que, por um cardo, não a tomem!
Compreendas minha amiga!

Pois caro será o tributo.
Por ti, mulher, eu luto,
Quando a conta não é antiga.

Niterói, 22/09/1956

Dácio Jaegger

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Chuva, minha companheira.

"Depois da chuva... as rosas choram!"


Um embate
Amor inquieto
Rua deserta
Refúgio do amor.
Horas que passam
Não servem pra nada.
O nada é meu grito.
Não me ouves! Pára!
Um amor desfeito
Numa tarde de chuva.
amiga, que cai serena.
Leva contigo as lágrimas
Dos olhos que cúmplices
Não mais são.

Vai amiga
Deixa que eu olhe o passado
Num silêncio
Que passa de mansinho.


Ela prometeu nunca mais acreditar no amor.
Prometeu esquecer de uma vez por todas essa historia de juras de amor eterno.
Tudo isso aconteceu em 1977, e até hoje ela não cumpriu o prometido.

Crys

terça-feira, 26 de junho de 2007



O namoro andava célere, todos faziam muito gosto; o clã que freqüentávamos, sua família; a minha não sabia. Garotas pululavam, nunca tinha visto tanta liberdade assim; namorar e sofrer anatomicamente não era mole. Não tinha carro, motéis não existiam, moitas eram na roça, mas já havia casas de “família” de viúvas que para sustentar-se e à família, alugavam quartos. Sofrer? Descompromissar foi a questão.

O que me destes

Três vezes, exatamente, ouvi tristonho,
Dos lábios rubros que a beijar amei,
Palavras que ecoaram no meu sonho,
Na letargia que no momento me encontrei.

Chamaste-me covarde no silêncio bruto,
Que nos minutos ao teu lado atravessava,
Pois não sabias que em tuas mãos, um belo fruto,
Quisera colocá-lo e por isso eu lutava

Pois que te haver com o bem presenteado,
Covarde, é o eco que retumba no homem,
Que corre o risco de o chamarem desalmado.

Que minha atitude mal não te fará,
É bem longínquo e bem futuro,
O dia, belo dia, que a razão te chegará.

* No original.
Niterói, 23 de agosto de 1956

Acho que a razão nunca lhe chegou, porque ainda hoje ao encontrarmo-nos ao acaso,
só não lhe sai fogo nas ventas.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Princesinha!


Um anjo miúdo
Uma menininha
Formosa como a lua
Bela como a vida
Iluminada como o sol.
Minha filha
Liberdade nos olhos
Como uma gaivota
Querendo voar

O princípio de tudo
No palco da vida
Sonho dourado
Da menina a bailar

Um sorriso inocente
Tanta ternura no olhar
Deixe que te beije a face
Um beijo e mais nada
Palavras não há
Amar, pra sempre te amar!

Para Dani, minha filha - Janeiro, 1983
Crys

terça-feira, 12 de junho de 2007





Estava em Niterói, fazendo curso de vestibular para medicina. Tinha de passar no exame, caso contrário teria de voltar para Pádua e seguir a profissão do pai – comerciante. Minhas predileções nos estudos do colégio eram ciências naturais, física e química e queria ser médico. Namorar, nem pensar; tinha de passar longe de qualquer garota. Não deixava de pensar nas doçuras da minha terra e nas de Niterói, bem avançadas, moderninhas - é, sapecas e pra frentex (gíria), namoradeiras; só não ficavam, mesmo assim quem não as haveria de querer?


Onde estás ?


Das mulheres que eu amo,
Uma, dentre elas, a preferida,
Nas noites de insônia, chamo-a,
Chamo-a, amor da minha vida.

Sincera como nenhuma,. o anjo,
É uma candura que enternece.
Fez nossa vida belo arranjo.

Trouxe para mim a felicidade,
Que em outra parte não vi,
Nunca me fez causar piedade,
Fez-me tudo, tudo, que lhe pedi.

É verdade... bem dizia papai,
Mulher como essa me pintas,
Somente da poesia sai.

Niterói, 24 de julho de 1955

terça-feira, 5 de junho de 2007

Despida

Diante dos meus olhos o anseio de agarrar-me com forças a todas as aventuras que ficaram ao meu alcance. Mas, nas esquinas da vida, morria o desejo que não se aventuraram. Mas nascia também, o medo, onde tantos não buscaram a sensação do despontar de cada pedaço de seu próprio ímpeto, ímpeto de sonhar, acreditar, emocionar, amar.

Vem
Abraça-me com carinho
Cobre-me de beijos

Deixa-me sentir por um momento
Que eternizarei a paz que me invade
Deixa-me expor meu lado vulnerável,
Mostrar-me indefesa
Confiante na tua proteção

Ama o meu corpo
Em comunhão com minha alma

Deixa a tua mão correr livre
Por entre os meus segredos de mulher

Brinda-me com o êxtase da felicidade.
Comungue com o meu amor

Abraça-me
E minha boca beijará a tua pele,
Revivendo a emoção deste momento

E sentindo-me forte
Serei mulher, a tua mulher!

De uma menina, 1978

Crys